Espaço do Arquitecto com Arq. Manuel Albuquerque Tavares, Centro Escolar de Barrô
Espaço do Arquitecto com Arq. Manuel Albuquerque Tavares
Nesta edição do Espaço do Arquitecto, falámos com o Arq. Manuel Albuquerque Tavares, acerca do Centro Escolar de Barrô, projecto onde foi utilizado Tijolo Face à Vista Klinker Branco Algarve e Paver Cerâmico Bege Mourisca da Cerâmica Vale da Gândara.

Apresentação do Arq. Manuel Albuquerque Tavares
Manuel Alberto de Albuquerque Tavares nasceu em 1967, em Torres Novas.
Licenciou-se em arquitectura em 2001, pelo Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Enquanto estudante e na práctica profissional, participou em exposições colectivas nas áreas de Artes Plásticas (Aveiro e Porto) e Arquitectura (Lisboa, Coimbra e Aveiro).
Em 2000, publicou o seu projecto do 5º ano de curso na revista Arquitectura e Vida.
Posteriormente, em 2003, publicou na Editorial Estampa o ensaio Além da Geometria: Uma aproximação ao método do arquitecto Raúl Hestnes Ferreira, livro seleccionado para apoio á edição pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas\ Ministério da Cultura, que tem por base a sua prova final de licenciatura.
No campo da arquitectura é autor de projectos de arquitectura particular e pública, tendo obras construídas nas áreas habitacional e escolar, como o Centro Escolar de Barrô



De que modo a escola, como espaço de aprendizagem na vertente académica e social, influenciou a conceção do projecto?
Antes de mais, é preciso ter em conta que uma escola, ligada á transmissão de conhecimentos e á educação no sentido lato, tem uma forte componente simbólica, para além das questões práticas, de funcionalidade. O mesmo acontece com igrejas ou tribunais, por exemplo, noutras vertentes da vida em sociedade. Essa dimensão pode estar presente mesmo em programas correntes como a habitação.

Na conceção do Centro Escolar de Barrô, houve um trabalho de procura de soluções que respondessem a um programa funcional complexo, desenvolvendo simultaneamente aspetos formais que transmitissem esse simbolismo.
Se as formas e elementos arquitetónicos da escola são deliberadamente sintéticos e depurados, procuram também criar volumes e inter relações que enriqueçam e dinamizem o conjunto, como no caso da entrada e fachada principal ou do corpo do refeitório e sala polivalente, diferenciado pela dimensão e revestimento total em tijolo maciço.
O trabalho sobre estes fatores e a procura de criar espaços lúdicos e de aprendizagem que fossem agradáveis, determinaram o resultado final, para o qual foi também determinante o trabalho de fiscalização da obra.

A tradição cerâmica da região onde se encontra a escola, influenciou a escolha dos materiais?
O facto de existirem muitos edifícios nesta zona do país que usam o tijolo maciço como material base torna, de certa forma, este material quase familiar. No caso desta escola, para a escolha do material foi determinante o uso previsto e as opções formais bem como a definição da imagem que se pretendia criar para o edifício e espaços exteriores.

Quais as linhas orientadoras que permitiram a interligação e a cumplicidade entre o tijolo face á vista e o paver cerâmico?
Por um lado, a intervenção procura criar uma íntima ligação entre espaços interiores e exteriores. Algumas zonas do edifício têm carácter híbrido, em que estes dois tipos de espaço se fundem e coexistem e que podem tornar-se interessantes.
Por outro lado, nas zonas exteriores pavimentadas, que convivem com o edifício e os espaços verdes, pretendia-se encontrar um material, também de natureza cerâmica, que contrastasse pela cor, com as fachadas da escola. O paver cerâmico, de cor mais escura, quer dar "peso e gravidade" ao espaço pavimentado exterior e simultaneamente tornar "leve" o edifício. O facto de ser usado o mesmo material em praticamente todos os espaços exteriores pavimentados é uma forma de simplificar a leitura de todo o recinto escolar.

Em que medida a exigência de durabilidade, baixa manutenção e desempenho, influenciou o design do projecto?
As características do material a utilizar têm que ser ponderadas em cada projeto e em cada contexto distinto. No caso de Barrô o uso previsto para o edifício, ensino pré-escolar e básico, conduzia naturalmente á utilização de um material com características de durabilidade e resistência. Por questões económicas é também útil que não exija manutenção periódica.
Se a obra é sobretudo destinada a crianças, as zonas lúdicas, sobretudo as exteriores, devem ser usufruídas sem constrangimentos excessivos. Por essa razão, as fachadas que confinam com os espaços de recreio e campo de jogos são maioritariamente em tijolo de face á vista.

Porque que razão escolheu o modelo Branco Algarve para este projecto?
Por uma razão simples: queria uma escola de cores claras, em que predominassem dois materiais com cores e texturas distintas mas que se complementassem. Uma escola com luz.
O facto de o modelo Branco Algarve ter cor uniforme e tom claro propicia um contraste moderado com as paredes brancas, formando um padrão uniforme em todo o edifício.

Tem em conta os problemas ambientais e de sustentabilidade na concepção dos seus projectos?
Atualmente a consciência em relação á sustentabilidade e ás questões ambientais aumentou consideravelmente, a par com as preocupações com os custos de funcionamento dos edifícios e a investigações de novas tecnologias.
Esse fator é importante, mas é preciso dizer que essa não é uma preocupação nova na produção arquitetónica. A escolha dos materiais, a boa orientação dos vãos, o eficaz aproveitamento da luz natural foram preocupações presentes no trabalho dos arquitetos ao longo dos tempos e procuro integrar esses fatores na conceção dos projetos. Quanto melhor esses aspetos estiverem resolvidos ao nível do projeto menos custos de utilização terá o edifício.

Quais foram os maiores desafios na concepção do Projecto?
Houve dois aspetos que se tornaram, sem dúvida, questões centrais no desenvolvimento deste trabalho.
Um deles foi a resolução do programa funcional, com alguma complexidade, que originou vários estudos para a organização da escola, num processo em que foi fundamental a interligação com o dono de obra, a Câmara Municipal de Águeda, e a Direção Regional de Educação do Centro.
Outro aspeto foi o próprio local da obra e a envolvente, com poucas construções e dispersas, ou seja, um local com poucas referências edificadas que pudessem ser utilizadas para a definição do projeto.
Nesse sentido, a escola foi concebida a partir de algumas intenções base como criar um edifício único em forma de U, com um percurso interior contínuo e comum que interligasse os vários setores, estabelecer uma relação entre o corpo de entrada da escola e a rua ou localizar os compartimentos em função da orientação solar.
Mas essa noção de que a escola teria que criar o seu lugar na envolvente e no próprio terreno acabou por gerar algumas das caraterísticas estruturantes do projeto, como o facto de o desenho do edifício definir com clareza os espaços exteriores, como o recreio e campo de jogos, ou a grande interligação entre interior e exterior.
De certa forma, as questões difíceis foram o motor para o desenvolvimento do projeto e determinaram fortemente a solução final.

Como prevê o ano de 2014 para a Arquitectura em Portugal?
A produção de arquitetura está obviamente ligada aos ciclos económicos e estamos numa fase recessiva. A possibilidade de melhoria dos rendimentos das famílias, um factor que melhoraria muito a atividade arquitetónica, continua muito incerta.
Apesar disso há alguns sinais positivos na atividade imobiliária e em 2014 haverá alguma disponibilidade de fundos comunitários que, se forem usados com rigor e isenção, poderão ter efeitos positivos na construção, sobretudo ligada a empresas. É preciso manter algum espírito positivo e esperar que estes fatores evoluam no bom sentido.
As outras condições necessárias já temos - bons construtores, bons engenheiros e bons arquitetos, alguns com prestígio a nível mundial.

Catálogo Cerâmica Vale da Gândara

Tijolo Face à Vista Klinker Branco Algarve

Paver Cerâmico Bege Mourisca

Centro Escolar do Barrô | Arq. Manuel Albuquerque Tavares
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