Espaço do Arquitecto com o Arq. Luís Pinto de Faria & Miguel Faria Correia
Espaço do Arquitecto com o Arq. Luís Pinto de Faria & Miguel Faria Correia

Em mais uma edição do Espaço do Arquitecto, falamos com os Arquitectos Luís Pinto de Faria e Miguel Faria Correia acerca do projecto Hospital Escola da Universidade Fernando Pessoa. Este projecto concebido com Tijolo Face à Vista Branco Algarve, foi concluído recentemente. Neste espaço iremos falar acerca do projecto, material utilizado, mas também do panorama actual, nacional e internacional da Arquitectura.

Qual foi o maior desafio no projecto do Hospital Escola?
Reinterpretar a filosofia construtiva e funcional do edifico Sede da UFP, percebida aqui como parte da identidade da Fundação, organizado em redor de um pátio central e cujas paredes exteriores e interiores são construídas em tijolo face à vista, garantindo a ausência de trabalhos significativos de manutenção desde a sua inauguração em 1996.

Qual é o conceito do edifício?
Tendo como mote a filosofia e a imagem do edifício Sede da Universidade Fernando Pessoa, o projecto de arquitectura arranca seguindo três premissas fundamentais:

- Tratando-se de um Hospital Escola, construído de raiz para o efeito, procurar uma tipologia que, sem distancia-se dos requisitos conceptuais necessários a um edifício de tipo hospitalar, assuma um carácter vincado de escola/universidade.

- Garantir um controlo rigoroso dos custos financeiros e ambientais envolvidos quer durante a construção quer na sua futura manutenção, optando-se por um sistema construtivo racional e uma selecção criteriosa dos materiais utilizados: paredes exteriores compostas por parede dupla de tijolo cerâmico tipo termoargila e tijolo cerâmico face à vista klinker branco Algarve, separadas por caixa-de-ar ventilada protegida com isolamento térmico. Em termos de revestimentos exteriores optou-se ainda pela aplicação de zinco ao nível da cobertura, por projectar paramentos exteriores em betão aparente ou por revestimentos à base de painéis compósitos de alumínio.

- Garantir a adaptação do edifício às especificidades dos seus utentes e dos seus usos: desenhar o pátio central por modo a promover a entrada de luz natural para todo o edifício bem como para proporcionar aos seus utentes uma leitura clara e imediata dos diferentes sistemas de comunicação horizontal e vertical do edifício. Garantir a flexibilidade de utilização dos espaços bem como facilitar a sua eventual readaptação para novos usos durante a vida útil do equipamento.



Quais são as maiores vantagens da utilização do Tijolo Face à Vista?
Acreditamos que as principais Vantagens são a sua durabilidade, o seu comportamento térmico e acústico, a resistência ao fogo e os reduzidos custos de manutenção que lhe são associados.

Quais foram as boas práticas adoptadas no edifício no sentido da sua optimização em termos de eficiência energética e da utilização sustentável dos recursos naturais.
A filosofia ecológica do edifício surge logo no seu princípio base de concepção, uma vez que o seu desenho foi desenvolvido no sentido de uma racionalização de espaços e circulações por modo a reduzir não só os recursos despendidos na execução do sistema estrutural do edifício (com um modulação regular) como também facilitar a sua utilização por utentes com algum tipo de debilidade motora e/ou cognitiva.
A organização funcional do edifício permite maximizar o aproveitamento de luz natural no interior do edifício, projectando-se a generalidade dos compartimentos na periferia do edifício (com luz directa) em redor de um pátio central iluminado a partir da cobertura. Tal como previsto na legislação em vigor, o abastecimento de água quente ao edifício é apoiado pela colocação de painéis solares, voltados a Sul, sobre a cobertura, tendo-se previsto o reaproveitamento das águas pluviais para efeito de rega.

Porquê a opção pela cor branco algarve?
A cor branco algarve parece-nos a que mais se adequa ao pretendido uma vez que se associa à memória dos edifícios da UFP e à definição, por contraste, entre a cor da caixilharia e o perfil de remate do topo das lajes.

Como vê a Arquitectura Portuguesa no mundo? Acha que está devidamente representada?
A arquitectura Portuguesa é hoje não só uma referência cultural incontornável no panorama mundial como também um importante "produto" de exportação e de representação exterior do nosso país.
Num momento de profunda transformação e de crise, a representatividade da arquitectura Portuguesa no mundo ultrapassou a dependência no protagonismo dos grandes gabinetes nacionais para se afirmar como um reflexo de toda uma geração de arquitectos formados na especificidade do contexto da cultura Portuguesa.

Catálogo Cerâmica Vale da Gândara

Tijolo Face à Vista Branco Algarve

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