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ARQFACTO – Arquitectura e Interiores

ARQFACTO – Arquitectura e Interiores


ARQFACTO – Arquitectura e Interiores é a marca registada sob a qual exercem actividade em co-autoria desde 2013 as arquitectas Maria Manuel Almeida Costa (FAUP, 2002) e Ângela Vanessa Barbosa de Mendonça (DArqFCTUC, 2012), com atelier sediado em edifício de habitação multifamiliar e serviços que projectaram, no centro de Ovar. Têm vindo a desenvolver projectos de construções de raiz e de reabilitação, com epicentro neste concelho – que releva pelo seu património azulejar e edificado tradicional do séc. XIX.

Porquê a escolha do Tijolo face à vista e da cor Vermelho Vulcânico?

Este projecto contou com donos de obra particularmente recetivos, mas que desde o primeiro instante nos colocaram um desafio: pretendiam uma moradia com uma linguagem contemporânea mas não depurada ou minimalista, antes que se ligasse à rusticidade do lugar, que fosse orgânica. A partir daí, a escolha do Tijolo face à vista klinker foi natural; e a opção pela tonalidade vermelho vulcânico ficou a dever-se, por um lado, à vontade dos Clientes em enveredarem pela cor mais “clássica” do material; e, pelo nosso lado, pela opção deliberada pelo tom base (não matizado nem texturado) para que pudessem sobressair as estereotomias e aparelhos projectados. Mais exatamente, dar ênfase aos cheios e vazios das alvenarias vazadas e às saliências ou reentrâncias das alvenarias mais “volumétricas” – conjugado o tijolo klinker ao tijolo maciço, em idêntica tonalidade.

Quais foram os maiores desafios na conceção do projeto?

No que ao tijolo CVG diz respeito, foram vários. Desde logo, o estudo com os Clientes – que foram sempre muito participativos no processo, do Licenciamento ao Projecto de Execução e mesmo durante a Obra – do refundamento das juntas, da cor da betumagem e da localização / orientação solar das alvenarias “texturadas”, no que aos efeitos de luz / sombra e de contrastes cromáticos diz respeito. Na fase de projecto, por exemplo a elaboração da planta de toscos, na qual todos os tijolos e juntas de dilatação foram representados às escalas 1:50 e 1:20. Já em obra, a execução do muro de aproximação frontal à moradia, para o qual se propôs uma gradação curvilínea da alvenaria, o que exigiu do Empreiteiro um exercício de especial paciência… s.

Como se relacionam edifício e espaço envolvente?

Com excepção da edificação confrontante a Nascente, à qual estabelece alinhamento e alguns paralelismos morfológicos (dada a correlação afetiva, porque familiar, que existe entre ambos), o edifício distancia-se da demais envolvente para se relacionar estreita e estritamente com o próprio terreno. Assim, estende-se no sentido da profundidade de um terreno já de si particularmente longo. Estabelece com a rua um acentuado recuo no sentido de garantir privacidade aos quartos, posicionados numa situação frontal. Detém um pátio intermédio muito introspectivo, quase “zen” – que se relaciona com o espaço de escritório da família. E volta toda a zona social na direção do extenso logradouro pergolado e a arborizar.

Como vê o futuro do tijolo face à vista no panorama da arquitetura em Portugal?

O futuro do tijolo face à vista no panorama da Arquitectura Portuguesa é promissor. E muito particularmente na nossa região e distrito [Aveiro], onde encontra fortes raízes na construção tradicional, e tem por isso particular pertinência e legitimidade. Por tal motivo, aliado à perenidade e à plasticidade do material, utilizamos recorrentemente este material, em projectos muito diversos e segundo opções de acabamentos também muito distintas.