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ARQ. BRUNO RAMOS FERRAZ

Espaço do arquiteto com Arq. Bruno Ramos Ferraz


Natural de Lisboa, com raízes no Alentejo, tem a sua primeira experiência com a arquitectura e o desenho técnico, num estágio de 26 meses na sala de desenho do Aeroporto de Lisboa. Inicia os estudos de via artistica na Escola Profissional Val do Rio, num curso de artes gráficas que forneceu bases fundamentais de comunicação para a profissão de arquitecto, que posteriormente o levariam à inscrição no curso Faculdade de Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa. Durante esse período, entre cursos, colaborou sistematicamente com alguns ateliers e professores como o Arq. Manuel Tainha, até se ter formado em 2006. Colaborou e foi associado do Atelier Sousa Santos Arquitectos, onde desenvolveu projectos como o Museu da História Natural de Sintra, a Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, acabando em 2010 por sair do país para integrar uma equipe de projecto no atelier 3BM3 em Genebra, onde pode desenvolver projectos como o Portfrancs do Luxemburgo. Em 2013 tornou-se associado do Atelier Scalline Suisse, onde entre outras funções desenvolveu diversos projectos como a Mediateca do Cazenga, ou o Parque Tecnológico da VIa Expresso, ambos em Angola. Desde de 2015 que é independente e que colabora pontualmente em regime de parceria com colegas de profissão ou ateliers, situados entre Portugal e a Suiça, onde tem vindo a desenvolver diversos projectos ligados à habitação e equipamentos de agro-turismo.

Qual é o conceito do projeto?

O projecto parte da premissa de racionalizar a organização dos espaços comuns da casa, habitualmente separados e compartimentados, sem descurar as condicionantes funcionais, económicas e de conforto exigidas pelo cliente. Existia também o desejo de estender o limite da casa para o exterior. A partir destes princípios orientadores a casa organiza-se em volta de um grande espaço de convivência comum que integra a sala de estar, sala de jantar e cozinha. Este espaço comum expande-se para o exterior através de um pátio de dimensões idênticas, formando em conjunto o núcleo da casa em torno do qual se desenvolvem os espaços privados - quartos, instalações sanitárias e arrumos. Este pátio exterior, integrado no volume elementar da casa, é fortemente caracterizado por um grande vão em arco no alçado e pela abertura circular na cobertura, que enquadram fortemente o jardim e o céu a partir do interior da casa.

Quais foram os maiores desafios na conceção do projeto?

O projecto tem um conjunto de soluções construtivas e geometrias que exigiram mais rigor na sua preparação e execução. A laje da cobertura da casa em betão à vista, foi sem duvida um dos maiores desafios pois nela integraram-se uma série de sistemas e detalhes que a tornaram-a num dos elementos primordiais da casa. Foram previstas reservas na cofragem para que os caixilhos e as portadas ficassem completamente alinhados com a face inferior da laje, garantindo assim que uma vez estes sistemas abertos, apenas teríamos o betão visível. De uma forma geral, estes elementos e a preparação das fachadas de betão pré-fabricado e do tijolo exigiram da equipe um intenso trabalho de coordenação entre todos os intervenientes.

Porque a escolha do Tijolo Face à Vista?

A casa encontra-se numa região litoral do país fortemente marcada pela maresia. O tijolo de face à vista permitia responder de forma eficiente a um conjunto de condicionantes que neste contexto se tornam ainda mais importantes, como o conforto térmico, a durabilidade e a manutenção reduzida. Simultaneamente é um revestimento que pode ter grande relevância na definição formal de um edifício, com o qual já tinha tido experiências muito positivas noutras obras.

Qual é o enquadramento do Tijolo Face à Vista no projeto?

Procurou-se tirar partido da polivalência e plasticidade do tijolo aparente, que permite trabalhar superfícies rectas e curvas, tendo sido um elemento fundamental na definição formal da casa desde o início do processo. Na abertura circular da cobertura do pátio exterior foram utilizados tijolos aparentes como cofragem da laje garantindo o acabamento desejado. Da mesma forma foram aplicados tijolos aparentes de remate no vão em arco do mesmo pátio, aplicados num processo construtivo tradicional. As fachadas são revestidas com fiadas de tijolo de cinco e sete centímetros alternadamente que conferem escala e textura às superfícies. No alinhamento dos vãos o tijolo é aplicado na vertical para sublinhar a verticalidade das aberturas. O pavimento do pátio exterior é também revestido a tijolo aparente com estereotomia em “espinha” na continuidade das fachadas. Estas pequenas variações e detalhes na aplicação do tijolo, em conjunto com a escala que é conferida pela estereotomia das peças, garantiu uma coerência de projecto.