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CVDB ARQUITECTOS

Espaço do arquiteto com o atelier CVDB Arquitectos


O atelier CVDB Arquitectos foi criado por Cristina Veríssimo e Diogo Burnay, em 1999. Os projectos têm sido desenvolvidos em parceria com Tiago Filipe Santos, desde 2007.
O trabalho que tem vindo a desenvolver abrange projectos públicos e privados, projectos urbanos, novo edificado, reabilitação de edifícios antigos, interiores e estruturas efémeras, focando-se principalmente no papel social da arquitectura de carácter político.

A prática profissional do atelier baseia-se numa pesquisa arquitectónica em que cada projecto é entendido como um campo de experimentação aberto a todos os intervenientes envolvidos no processo. Esta abordagem permite explorar formas contemporâneas de fazer Arquitectura, entendendo-a como parte de um amplo contexto físico, social e cultural e tendo em conta a experiência e perecpção individual e colectiva do espaço urbano.
O atelier tem sido reconhecido a nível nacional e internacional, através da atribuição de prémios, da presença em exposições e da publicação do seu trabalho.

Quais os maiores desafios na concepção do Projecto?


A envolvente urbana apresenta um grande desafio ao nível da coesão e qualificação do espaço público: a criação de um lugar para os estudantes, únicos residentes de todo o Pólo Universitário. O enquadramento urbanístico envolvente, é marcado por áreas de construção dispersas, compostas na sua maioria por conjuntos de construções precárias, com espaços públicos descaracterizados.
Assim, o novo edifício da Residência, surge como uma oportunidade de re‐equilíbrio da dinâmica social do Pólo Universitário, contribuindo para a sua qualidade urbana, gerando uma nova dinâmica de vida e enquadrando‐se do ponto de vista da sua volumetria e materialidade.

A necessidade de faseamento da obra, em duas fases de construção, constituiu igualmente um desafio, conduzindo ao desenvolvimento de uma estratégia temporária, para o edifício e respetivos espaças exteriores, sem prejuízo dos aspectos funcionais, infra‐estruturais, de segurança e acessibilidade.
A concretização final do projecto, define um edifício compacto com pátio “comunitário” ao centro.

Toda a proposta é desenvolvida tendo como premissa um módulo estrutural, quer na definição dos sistemas de suporte funcional (infra‐estruturas) optimizados em termos de localização e relação entre si, quer na caracterização geométrica e tectónica do edifício, proporcionalmente compatível com a precisão do tijolo de face à vista. Este rigor geométrico torna‐se a âncora do projecto, na definição da imagem urbana do edifício, assim como dos espaços interiores comuns.

O tijolo de face à vista tornou‐se um material fundamental do ponto de vista da concepção, envolvendo um trabalho rigoroso de coordenação, em fase de projecto e em fase de execução de obra. A compatibilização das premissas de arquitectura e das particularidades do edifício, com o sistema de fachada ventilada, exigiu uma equipa multidisciplinar, agregando as especialidades de arquitectura, estrutura, estabilidade e fixação do sistema de fachada, cujo projecto foi desenvolvido por departamento técnico especializado, considerando igualmente a produção padronizada do bloco cerâmico.

Paralelamente à compatibilização em fase de projecto, foi desenvolvida a compatibilização em fase de obra, tendo‐se desenvolvido em detalhe, todas as extensões de fachada e respetivos princípios de desenho: alinhamentos com elementos construtivos, estereotomias, continuidades e excepcionalidades.
Em ambas as fases, projecto e obra, foi fundamental o trabalho conjunto com a indústria. O conhecimento dos seus meios de produção tornou‐se essencial para o desenvolvimento de soluções integradas, tendo em vista as premissas de projecto e a sua adequação construtiva. Trata‐se de um equilibro entre possibilidade compositiva e rigor construtivo.

Como classifica a utilização do tijolo de face à vista na arquitectura nacional?

Devido à abundância de argilas e areias no território nacional, Portugal é dos países da Europa com maior legado patrimonial no âmbito da arquitectura em “terra crua”: adobe e taipa, constituindo a génese dos processos construtivos actuais, em tijolo cerâmico de face á vista.

Ao longo dos séculos, os meios de produção e soluções construtivas mantiveram‐se praticamente inalterados, assumindo o uso da alvenaria com função estrutural ‐ paredes de elevada espessura, reflectindo técnicas e influências regionais. Neste âmbito, destaca‐se a região de Aveiro, e o relevante legado construtivo do século XIX e princípios do século XX, sobretudo no círculo industrial.

A partir de meados do século XX, o tijolo de face à vista passa a ter uma utilização generalizada, sobretudo em edifícios de habitação coletiva de habitação social, possivelmente por influência da vanguarda moderna internacional.
Nos anos noventa, a arquitectura em tijolo de face à vista ganha um novo impulso, com a construção do Pólo da Universidade de Aveiro.

Com o desenvolvimento do estado da arte, os sistemas de construção actuais, incorporam um conjunto de avanços tecnológicos sismo‐resistentes, dando igualmente resposta às crescentes necessidades de desempenho, do ponto de vista térmico e acústico.

Aliado em desenvolvimento no âmbito tecnológico e da investigação, o nosso país possui um conjunto de profissionais qualificados do ponto de vista da execução, permitindo uma garantia de qualidade na totalidade do processo: extração de matéria‐prima, produção industrial, desenvolvimento de projecto e execução de obra

Porquê a escolha do tijolo de face à vista?


Do ponto de vista das características de desempenho, a escolha do tijolo de face à vista decorre de uma estratégia de projecto, de adopção de produtos de elevada resistência e qualidade de acabamento, associados a baixos custos de manutenção; garantindo igualmente, uma elevada inércia térmica, elevado desempenho acústico, e elevada resistência ao fogo.

Do ponto de vista económico e ambiental, a obtenção de matéria‐prima e o processo de fabrico exclusivamente nacional, foram igualmente factores decisivos. Além dos factores mencionados, importa referir a excelente qualidade das argilas nacionais, resultando num produto com elevada resistência e reduzida higroscopicidade.

Do ponto de vista da expressão arquitectónica, o tijolo de face à vista apresenta um enorme potencial do ponto de vista visual e táctil, através da sua forma, cor e superfície: tendo‐se explorado uma diversidade de métricas, proporções, ritmos, alternâncias entre estereotomia horizontal e vertical, variações entre altos e baixos relevos, opacidades e transparências.

A utilização do bloco cerâmico, quando comparado com a escala global do projecto, remete para a importância do domínio do detalhe e da definição de regras de proporcionalidade, adaptáveis à metodologia construtiva: o projecto percorre várias escalas e a percepção do edifício intensifica‐se, à medida quer nos aproximamos dele.

Porquê a escolha da cor Cinza Minho?


A opção pelo “Cinza Minho”, cor dominante do projecto, relaciona‐se com vários factores, relacionados com o equilíbrio cromático do edifício, na relação com a sua envolvente: face à sua volumetria, à luz dominante de Lisboa, e ao contexto urbano e natural circundante.

O “Cinza Minho” apresenta um valor claro/escuro na ordem dos 30%, sendo ligeiramente pigmentado (saturado) na ordem dos 10%, com uma matiz cromática composta por amarelo e vermelho (NCS 3010‐Y50R: 30% de preto no branco, com 10% de saturação – intensidade de cor, composta por 50% de amarelo e 50% de vermelho). Na prática, o edifício tem um tom ligeiramente quente, agradável do ponto de vista da percepção humana, com um valor claro/escuro semelhante ao das cores da natureza. Este tom natural da fachada, contribui para um processo de homogeneização com o contexto, reduzindo o impacto da sua volumetria.