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ATELIER MURMURO

Espaço do arquiteto com o Atelier murmuro


murmuro foi fundado por Rita Breda (Estarreja, 1981) e João Caldas (Braga, 1981) na cidade do Porto. Iniciaram o seu percurso conjunto já na universidade, tendo ambos estudado no DARQ-FCT, Universidade de Coimbra e, enquanto bolseiros Erasmus, na NTNU e na Academia de Belas Artes em Trondheim (Noruega), onde participaram num programa interdisciplinar e colaborativo entre estudantes de arquitectura e artes, que entendem ter sido pivotal na sua formação. O sucesso de alguns dos seus trabalhos levou à fundação, em 2015, do escritório murmuro, onde desenvolvem projectos de arquitectura de diversas escalas, programas e orçamentos. Destaca-se o projecto Doze Casas, em Braga, que integrou a selecção dos Premis FAD 16 e dos VII Prémio Enor 2017, e o projecto Colégio dos Plátanos nomeado para o Prémio Construir 2018 na categoria Melhor Projecto Privado. murmuro foi distinguido com o prémio 40UNDER40, que assinala os talentos emergentes e os mais promissores arquitectos na Europa.

João Caldas, Rita Breda, Pedro Rodrigues, Luís Soares, Roberto Sánchez

Quais foram os maiores desafios na concepção do projecto?


O desenvolvimento do projecto debatia-se com dois vectores principais. Um primeiro que permitisse desenvolver a obra em duas fases distintas, requerendo assim um investimento mais comedido e faseado por parte do cliente. Um segundo vector, directamente relacionado com o anterior, que previsse o faseamento da própria demolição do património existente no local da obra, o estudo de uma solução estrutural intermédia e o desenvolvimento da obra sem a interrupção do normal funcionamento do colégio. A este desafio respondemos com um novo volume que é simultaneamente uma ponte de ligação e um ponto de articulação, isto porque para além de ligar os dois edifícios existentes (a nascente e a poente) garantindo percursos interiores contínuos, articula as diferentes cotas exteriores do pátio infantil a sul, da zona desportiva a Norte e da zona exterior a Este. Inserido entre o edifício principal do colégio e o edifício recém adquirido para expansão da área de sala de aulas, o nosso projecto deveria organizar todo o espaço escolar, aumentar o número de salas e dotar o colégio de novos espaços de apoio e administrativos.

Porquê a escolha do tijolo face à vista?


Para além das exigências funcionais, o cliente tinha variados requisitos técnicos para o edifício, nomeadamente, a recusa de sistemas mecânicos de ventilação e climatização. A nossa estratégia define-se pela criação de uma fachada que permitisse ventilar naturalmente o edifício e garantisse a entrada de luz natural. Acresce ainda a crucial protecção dos vãos por a fachada ser um dos limites do campo de jogos exterior. Perante estes requisitos, o tijolo pareceu-nos a solução mais acertada. A revestir toda a fachada norte, o tijolo face à vista numa aplicação “hit and miss” protagoniza um filtro de luz e também de privacidade, oculta os vãos e as variadas grelhas necessárias para operar o sistema de ventilação natural exigido. A “pele” em tijolo uniformiza uma fachada com um carácter infraestrutural pesado, confere abstratização e mutabilidade à medida que a luz artificial vai revelando uma segunda fachada canónica escondida por este plano de tijolo contínuo e aparentemente cego. Trata-se de uma material que reúne em si a resposta a preocupações de ordem da qualidade ambiental e sustentabilidade, aliado à grande durabilidade e redução de custos de manutenção no tempo de vida da escola.

Porquê a escolha da cor Cinza Douro?


De entre as várias opções de cor para o tijolo face à vista, o Cinza Douro era o que melhor se enquadrava no contexto construído existente bastante diverso. O novo edifício literalmente encaixa entre duas construções pré-existentes, e serve de ligação entre ambas, entre o edifício principal da escola, dos anos 30, com tons beije, e o novo edifício de cor branca a nascente. A cor Cinza Douro dilui os contrastes e pretende dar coerência ao conjunto.

Como classifica a utilização do tijolo face à vista na arquitectura nacional?


O tijolo face à vista não é novidade no âmbito da arquitectura nacional e os exemplos de grande qualidade são vários. Trata-se de um material que se adequa a distintos programas, dimensões de obra, localização geográfica e até orçamentos, dando lugar a obras extraordinárias que tiram o máximo partido das qualidades e características do tijolo face à vista.